Um projeto monumental avança na Europa e promete abrir uma nova etapa para compreender a estrutura profunda do Universo. Descubra todos os detalhes. A Europa avalia uma obra considerada a mais importante da história da ciência, concebida para replicar circunstâncias semelhantes ao Big Bang. O plano visa superar os limites atuais da física e ampliar o conhecimento sobre a origem do Universo e da matéria. A magnitude técnica e financeira do projeto já gera impacto global. Embora sua viabilidade ainda seja discutida, cresce o interesse internacional por seu alcance e pelo caminho que poderá seguir nas próximas décadas.
Que obra estão a construir e como pretende replicar a potência do Big Bang?
A Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN) impulsiona o Colisor Circular do Futuro (FCC), um megaacelerador que superará amplamente o Grande Colisor de Hadrões. O projeto prevê um túnel circular de 91 quilómetros, capaz de atingir energias oito vezes maiores e recriar condições semelhantes às do Big Bang.
O projeto será desenvolvido em duas etapas: primeiro, uma “fábrica de Higgs” por volta de 2045 para produzir grandes quantidades de bósons de Higgs, a partícula elementar que confere massa a outras partículas fundamentais. Esta etapa inicial permitirá estudar com maior precisão o seu comportamento e o seu papel na estrutura do Universo.
Em seguida, por volta de 2070, entraria em operação o colisor principal, baseado em colisões de protões a energias extremas. Com esse nível de potência, os físicos esperam detectar partículas ainda não observadas e avançar em enigmas pendentes, como a natureza da matéria escura.

Pontos-chave do projeto
- Túnel subterrâneo de 91 km na fronteira entre a Suíça e a França.
- Investimento estimado superior a US$ 30 bilhões.
- Primeira etapa: fábrica de Higgs.
- Segunda etapa: colisor de protões.
Por que é controverso e qual será o impacto na comunidade científica mundial?
O FCC divide a comunidade científica. Parte dos investigadores sustenta que ele marcará o futuro da física; outros alertam sobre a sua duração, o seu custo e a possibilidade de absorver recursos destinados a tecnologias alternativas, como colisores lineares ou aceleradores avançados.
A isso se soma a incerteza financeira. A Alemanha já sinalizou que não aumentará sua contribuição e outros países membros pedem clareza nos custos finais. Paralelamente, a China analisa aprovar um colisor de elétrons e pósitrons semelhante, o que poderia mudar a liderança internacional em pesquisa de partículas.
