Os especialistas em informática explicam o que é a “janela de ouro” para prolongar a vida útil da bateria do telemóvel e fazer com que dure mais tempo

O hábito de ligar o telemóvel à tomada antes de dormir e acordar com a bateria a 100% é um ritual que milhões de pessoas repetem todas as noites. No entanto, o que é percebido como a maximização da autonomia é, na verdade, um hábito que está a encurtar drasticamente a vida útil do nosso dispositivo. Longe da preocupação com a sobrecarga, um problema que a tecnologia atual já resolveu, o verdadeiro inimigo dos smartphones é a tensão química que ocorre na última fase da carga. Os especialistas em baterias de iões de lítio são categóricos: a chave para que a autonomia de um terminal não caia em dois ou três anos não está na marca ou no modelo, mas em manter o dispositivo dentro de uma “janela de carga” ideal.

O stress da bateria no limite máximo

A química interna das baterias de iões de lítio, que alimentam praticamente todos os nossos dispositivos móveis, é extremamente sensível a extremos. Quando um telemóvel atinge 100% da sua capacidade, os iões de lítio aglomeram-se no cátodo (o elétrodo positivo) com uma tensão elétrica máxima. Esta condição de carga completa mantida durante muito tempo é conhecida como “alto estado de tensão” e é a principal causa da degradação acelerada.

Tanto carregar a bateria de 0 a 100% como mantê-la a 100% durante horas provoca um esforço químico que desgasta o eletrólito e reduz a capacidade da bateria para reter energia a longo prazo. Ou seja, mesmo que o telemóvel não exploda, cada vez poderá armazenar menos energia, fazendo com que os 100% de hoje sejam os 80% de amanhã.

A «janela de ouro» de 80% a 20%

Se carregar o telemóvel completamente é um perigo, a grande questão é: qual é a percentagem mais adequada? Os especialistas concordam que a faixa ideal para prolongar os ciclos de vida de uma bateria situa-se entre 20% e 80%.

Manter o telemóvel dentro desta faixa intermédia evita picos de tensão extremos. Quando a bateria é carregada até 80%, o processo químico é muito mais suave e os iões de lítio movem-se com menos resistência. Este hábito não só minimiza o stress químico, como também pode triplicar o número de ciclos de carga eficazes antes que a bateria apresente uma degradação significativa. Para o utilizador, isto significa que a bateria manterá a sua autonomia ideal durante um ou dois anos a mais do que o habitual.

O mito do carregamento noturno

É verdade que os dispositivos modernos possuem circuitos internos que evitam a sobrecarga: assim que o telemóvel atinge 100%, ele para de consumir energia. No entanto, ao permanecer conectado, o carregador entra em um ciclo de “manutenção” que o obriga a recarregar continuamente pequenas porcentagens de energia que são perdidas naturalmente. Permanecer neste estado durante toda a noite mantém a bateria num estado constante de alta tensão e ligeiro aumento de temperatura.

Para combater este problema, fabricantes como a Apple e a Google implementaram sistemas como o «carregamento otimizado» (no iOS) ou a «bateria adaptativa» (no Android). Estas funções inteligentes aprendem os padrões de sono do utilizador e não carregam o terminal acima de 80% até pouco antes de ser necessário, minimizando o tempo que a bateria passa sob o máximo de stress. A recomendação final é clara: se o smartphone não incluir estas funções, o mais saudável é realizar carregamentos curtos e frequentes durante o dia e desligá-lo assim que atingir os 80% que tanto prolongam a vida útil da bateria.

Alice/ author of the article

Sou a Alice — tenho um blogue com dicas para o dia a dia: truques simples, economia de tempo e energia, inspiração para uma vida confortável e organizada.

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